PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA UMA HOMEOPATIA EFICAZ - PARTE 2



PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA UMA HOMEOPATIA EFICAZ - PARTE 2


M.V. Celso Affonso M. Pedrini

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4. BASE CIENTÍFICA.

4.1 Fundamentação Científica: Física Moderna e Ciências Médicas.

Considero de suma importância esclarecer que a Homeopatia possui um embasamento científico, não possuindo nenhum vínculo com práticas místicas ou exotéricas. Por isso, um dos objetivos de meu trabalho é desmistificar alguns tabus que envolvem o tratamento pelos semelhantes.

Entretanto, por apresentar uma outra concepção, que contraria o modelo mecanicista cartesiano, em que está fundamentada a Medicina Clássica, ocorre uma grande resistência em relação à sua aceitação como ciência médica. Para maiores informações, sugiro a leitura do artigo "A Homeopatia é uma ciência baseada em evidências".

Também é interessante ressaltar que alguns conceitos básicos em Homeopatia, como o de unidade e individualização (pois o objetivo não é tratar a doença, mas o doente, como um todo, sendo que, para isso, é preciso individualizá-lo), podem ser explicados, por exemplo, pela embriologia, histologia, genética e fisiologia. Para mais informações, sugiro a leitura do artigo "Em pleno século XXI, cada vez mais informatizado e tecnológico, por que a Homeopatia não é anacrônica?", itens II e III. .

4.2 Ação do Medicamento Homeopático.

O desconhecimento e a falta de compreensão quanto ao mecanismo de ação do medicamento homeopático constitui-se em importante fator para que a Homeopatia sofra grande resistência por parte da ciência médica clássica.

Um grande obstáculo para a aceitação da Homeopatia, como ciência, reside na utilização de substâncias ultradiluídas, o que contraria o clássico modelo bioquímico e molecular. Entretanto, algumas teorias defendem a possibilidade da permanência de uma informação relacionada à substância original, mesmo em soluções que tenham ultrapassado o limite molecular.

O alto grau de eficácia do tratamento homeopático em caninos e felinos, em uma pesquisa clínica que realizei, demonstra, indubitavelmente, que a ação do medicamento homeopático não pode ocorrer pelo efeito placebo. No artigo "Alguns comentários sobre a ação do medicamento homeopático" , apresento uma hipótese para o modo de ação de soluções infinitesimais e ultradiluídas, baseada em conceitos da Física Moderna, que poderia justificar os resultados satisfatórios da Homeopatia, tanto na prática clínica quanto em nossa pesquisa.

4.3 Evidências: Pesquisa Clínica – Alta Eficácia.

Durante 8 anos, entre 2005 e 2013, realizei uma pesquisa clínica voltada ao tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em caninos e felinos. Esta pesquisa foi executada de forma independente e concomitante a um trabalho voluntário que realizei na Liga Homeopática do RS, em Porto Alegre, instituição com a qual estabeleci uma parceria.

Nesta pesquisa, utilizei esta metodologia própria, que estou desenvolvendo e aprimorando há mais de duas décadas, desde que concluí a minha especialização. É importante ressaltar que os sintomas foram utilizados como parâmetros para a compreensão, o tratamento e a avaliação da evolução de cada paciente.

Avalio que o resultado mais importante desta pesquisa consiste no fato de que 96% dos pacientes caninos e felinos, portadores de quadros crônicos (incluindo os transtornos de comportamento), que foram tratados pela Homeopatia e acompanhados por um período superior a seis meses, apresentaram uma melhora significativa quanto à sua condição inicial (ou seja, quanto ao sintomas inerentes ao diagnóstico relacionado à queixa principal) e também em sua qualidade de vida, conforme a metodologia empregada e os parâmetros de avaliação propostos. Para mais informações sobre esta pesquisa, clique aqui.

Assim, posso afirmar, com a mais absoluta convicção e segurança: maiis que um tratamento, ofereço credibilidade, pois este meu trabalho com Homeopatia já foi testado e aprovado, estando baseado em evidências, respaldado por esta pesquisa clínica que realizei, com um alto grau de eficácia.


5. ATENDIMENTO.

5.1 Triagem Preliminar – Projeção Inicial: Beneficiar o Paciente e Atender as Expectativas de seu Responsável.

Trabalho exclusivamente com Homeopatia, atendendo apenas pacientes encaminhados por colegas parceiros, sejam clínicos gerais ou de outras especialidades.

Antes de iniciar o atendimento de um paciente encaminhado por um colega parceiro, a primeira coisa que faço, além de considerar o parecer do colega, é conversar com o responsável pelo paciente. Faço uma pequena entrevista, seja por E-mail ou telefone, para saber um pouco mais sobre o quadro do paciente, a fim de fazer uma projeção inicial se o meu trabalho com Homeopatia terá condições de beneficiar o paciente e também de atender as expectativas de seu responsável. Costumo dizer que o meu objetivo não é vender uma ilusão, mas cumprir com aquilo a que me proponho. Ou seja, proporcionar uma vida mais digna, saudável e de qualidade ao paciente, com plena satisfação de seus responsáveis.

Entretanto, para alcançarmos estes objetivos precisamos avaliar alguns fatores, principalmente relacionados ao paciente. Devemos considerar os fatores de ordem genética e hereditária, avaliando se o paciente apresenta uma predisposição, seja racial ou familiar, para apresentar uma determinada enfermidade. A condição orgãnica do paciente é de suma importância. Por isso, devemos considerar a sua idade, se ele apresenta exclusivamente um transtorno comportamental, por exemplo. Ou se manifesta alguma desordem orgânica, devendo-se avaliar se a mesma é apenas funcional ou tramita com alguma lesão, sendo preciso constatar se a mesma é grave ou não.

Assim, considero fundamental fazer uma espécie de triagem preliminar com cada paciente, a fim de constatar se terei condições de beneficiá-lo. Só assumo um caso e inicio o tratamento se avaliar que possuo as mínimas condições de contribuir, mediante meu trabalho com Homeopatia, em proporcionar saúde, bem-estar e qualidade de vida ao paciente, satisfazendo seus responsáveis. Considero este o caminho para disponibilizarmos um tratamento homeopático qualificado e de alta eficácia em Medicina Veterinária.

5.2 Priorizar a Qualidade.

Priorizo a qualidade em meu trabalho. A minha proposta é atender um número limitado de pacientes, exclusivamente encaminhados por colegas parceiros, empregando adequadamente a minha metodologia. Na verdade, eu nem teria condições de atender um grande número de pacientes utilizando esta metodologia, em que é preciso realizar um profundo e minucioso estudo de cada paciente, através de uma sequência de avaliações domiciliares.

A qualidade no atendimento também foi prioritária na pesquisa clínica que realizei para avaliar a eficácia do tratamento homeopático em caninos e felinos, com resultados altamente satisfatórios. Por isso é que costumo dizer que mais do que um tratamento, ofereço credibilidade, pois o meu trabalho com Homeopatia já foi testado e aprovado, estando baseado em evidências, sendo respaldado por esta pesquisa clínica que realizei, com um alto grau de eficácia. E isso traz mais confiança ao cliente, que terá segurança em seu investimento. Porém, para que eu possa ter a segurança de disponibilizar este trabalho, que apresenta o potencial de ser altamente eficaz, eu preciso empregar esta minha metodologia própria, que venho desenvolvendo e aperfeiçoando há mais de duas décadas, sendo a mesma utilizada na pesquisa.

Sem dúvida alguma, priorizar a qualidade no atendimeno de cada paciente, através de um profundo e meticuloso estudo de seus sintomas, mesmo em detrimento de um maior número de pacientes atendidos, é um dos ítens fundamentais desta metodologia, que almeja alcançar um alto grau de eficácia no tratamento de cães e gatos pela Homeopatia.

5.3 Questionário Prévio.

Há cerca de 8 anos atrás, passei a introduzir um questionário sobre o paciente, que deve ser respondido pelo seu responsável antes da primeira avaliação. Sempre aviso que este questionário deve ser respondido da forma mais fidedigna possível, sendo parte importantíssima do tratamento. Considero que este questionário funciona como um excelente facilitador, no sentido de obter uma melhor compreensão do paciente a ser atendido.

5.4 Atendimento Domiciliar.

Até o final de 1995, atendia meus pacientes, de forma preponderante, em um pequeno e modesto consultório, que havia montado anexo à minha residência. Eventualmente, atendia no domicílio dos pacientes. A partir de 1996, passei a disponibilizar atendimento exclusivamente domiciliar. Posteriormente, prestei também atendimento em consultórios e clínicas.

Sempre enfatizo que o meu trabalho com Homeopatia é baseado em evidências, respaldado por uma pesquisa clínica que realizei, de forma independente, durante 8 anos, entre 2005 e 2013, com excelentes resultados. E todos os atendimentos dos pacientes participantes desta pesquisa foram realizados na Liga Homeopática do RS, em Porto Alegre, instituição com a qual estabeleci uma parceria, além de realizar um trabalho voluntário neste período.

Atualmente, a minha proposta é disponibilizar atendimento exclusivamente domiciliar. Existem algumas vantagens no atendimento no próprio domicílio do paciente: evitar o contato com outros animais, inclusive possíveis portadores de doenças infectocontagiosas; evitar o estresse do paciente, ao entrar em contato com um ambiente clínico ou hospitalar; além do conforto oferecido ao proprietário, no sentido de não precisar sair de sua residência, muitas vezes dispendendo seu precioso tempo no trânsito, inclusive não precisando preocupar-se com o transporte de seu amigo.

Sem desconsiderar estas vantagens, o atendimento domiciliar adquire uma importância notável no tratamento pela Homeopatia. Lembremos que este sistema terapêutico não trata doenças, mas trata o doente, como um todo. E, para isso, é necessário individualizá-lo, através da compreensão da manifestação de seus sintomas. E os sintomas de ordem mental (comportamental) são fundamentais para alcançarmos este intento, sendo que a observação da conduta do paciente durante cada avaliação a que ele é submetido reveste-se de fundamental importância para a composição de um quadro, que refletirá em uma imagem característica, que será somente sua. E o medicamento homeopático que apresentar a imagem mais semelhante possível ao quadro deste paciente, será o medicamento mais adequado para tratá-lo, conforme o princípio da terapêutica pelos semelhantes.

O atendimento no próprio domicílio em que vive o paciente propicia a observação do mesmo de uma maneira mais natural, pois a sua conduta no habitat em que vive será mais autêntica. E é diferente observar o paciente na clínica ou no consultório, onde, muitas vezes, ele sente-se intimado com o ambiente estranho e a presença de outros animais.

Assim, apesar da pesquisa em que está baseado o meu trabalho ter sido realizada em ambiente ambulatorial, considero que o atendimento domiciliar é um exemplo do aprimoramento que falo em relação à esta metodologia.

5.5 Sequência no Tratamento.

O objetivo de meu trabalho com Homeopatia é o tratamento de quadros crônicos em caninos e felinos, incluindo os transtornos de comportamento. E a sequência no tratamento é um dos itens fundamentais desta metodologia que estou desenvolvendo.

O tempo mínimo para a avaliação da terapêutica homeopática em doenças crônicas deve ser de 6 meses a 1 ano (Cf. TEIXEIRA, 2008).

Na pesquisa que realizei, durante 8 anos, para avaliar a eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos, 24 dos 25 (isto é, 96%) pacientes incluídos no grupo que foi acompanhado por mais de 6 meses, apresentaram uma melhora significativa em sua condição inicial (ou seja, nos sintomas inerentes ao diagnóstico relacionado à queixa principal) e em sua qualidade de vida, conforme a metodologia empregada e os parâmetros de avaliação propostos.

Por outro lado, dos 26 pacientes incluídos no grupo que foi acompanhado por menos de 6 meses, 18 (ou seja, 69,23%) apresentaram uma melhora significativa em sua condição inicial e 20 (76,92%) em sua qualidade de vida.

Estes números corroboram, de forma bem clara e consistente, a importância fundamental que a sequência no tratamento representa para que a Homeopatia tenha plenas condições de proporcionar todo o seu potencial de benefícios aos pacientes.

Neste mesmo estudo, chamou a atenção o fato de que em 26 dos 77 pacientes que passaram por uma primeira avaliação, não houve a continuidade no tratamento, embora seus responsáveis tenham sido avisados da importância de haver um seguimento. Ou seja, praticamente 1/3 dos pacientes não retornou sequer para uma segunda avaliação. Isto reforça ainda mais a minha opinião e conduta de fazer uma apresentação inicial do que consiste o tratamento pela Homeopatia, de que a mesma apresenta uma concepção diferenciada, que existem fenômenos que podem ocorrer com o paciente durante o transcorrer do tratamento, além de explicar a minha metodologia e esclarecer possíveis dúvidas. Assim, o proprietário do paciente poderá avaliar melhor se é isso mesmo que ele procura e deseja, além de constatar se existem afinidades de filosofias e objetivos com este profissional, fator crucial para que haja um convívio respeitoso, harmônico e altamente produtivo.

Na minha opinião, não tem sentido iniciar o tratamento e não dar sequência ao mesmo. Seria melhor, então, nem começarmos! É uma questão de respeito, com o cliente (inclusive com suas finanças), com este profissional (que dedica-se plenamente a compreender e tratar cada paciente, dispendendo recursos financeiros, tempo e energia), mas, principalmente, com os pacientes, que são o principal objetivo de meu trabalho.

6. AVALIAÇÃO.

6.1 Cronograma de Avaliações.

Como já relatei inúmeras vezes, o objetivo de meu trabalho com Homeopatia é o tratamento de doenças de caráter crônico (incluindo os transtornos de comportamento) em caninos e felinos. Assim sendo, é necessário o acompanhamento do paciente, através de uma sequência de avaliações, a fim de avaliar como está sendo a evolução do paciente, fazendo possíveis adequações no tratamento e ajustes na prescrição medicamentosa, objetivando proporcionar todos os benefícios que o tratamento homeopático apresenta o potencial de oferecer a cada paciente, no sentido de que ele tenha uma vida mais digna, saudável e com qualidade.

Dessa forma, o meu trabalho com Homeopatia não consiste apenas em consultas isoladas, mas em um tratamento, com avaliações periódicas e interconectadas, devendo ser a médio ou longo prazo, dependendo do quadro do paciente, da sua resposta ao tratamento e da forma como desenvolve-se o processo de sua evolução.

Assim sendo, optei por dividir o tratamento em duas fases: uma fase inicial e outra de manutenção.

Fase Inicial. Consiste no período em que ocorrem os primeiros contatos com o paciente, onde começo progressivamente a conhecê-lo melhor, passando a compreender suas suscetibilidades e idiossincrasias, além de sua inter-relação com a família (seus responsáveis, tutores) e outros animais da residência. É uma fase importantíssima, pois, na minha experiência, um começo de tratamento em que ocorrem melhorias significativas e consistentes, serve como estímulo aos seus responsáveis para darem seguimento ao mesmo. Por isso, o paciente deve ser acompanhado de uma maneira mais intensiva. Proponho que as avaliações sejam mensais, ao menos nos primeiros meses. Conforme a evolução, as avaliações poderão ser a cada 2 meses. O objetivo da Fase Inicial é colocar o paciente em uma condição de estabilidade, física e comportamental, sendo que o seu período de duração previsto varia de 6 meses a 1 ano, conforme a opção de tratamento escolhida pelo proprietário.

Fase de Manutenção. Após o paciente alcançar uma condição de estabilidade, que é o objetivo da fase anterior, é necessário continuar acompanhando o mesmo, a fim de realizar as devidas adaptações que se fizerem necessárias. Entretanto, ao menos em princípio, não faz-se necessário que as avaliações ocorram com tanta frequência, como na fase inicial. O intervalo entre as avaliações dependerá, basicamente, do quadro do paciente e de sua evolução.

6.2 Parâmetros de Avaliação da Evolução: Sintomas.

A Homeopatia apresenta uma concepção diferenciada, em termos de ser vivo, saúde, doença, diagnóstico, terapêutica e de cura. O seu objetivo não é tratar doenças, conforme estamos acostumados a concebê-las, mas tratar o doente. E tratá-lo em sua totalidade, buscando a sua individualização. E como vamos individualizar cada paciente, acometido por uma determinada enfermidade? Através de um estudo profundo e minucioso da totalidade de seus sintomas.

Assim, enquanto a medicina veterinária clássica tem por objetivo diagnosticar e tratar doenças, utilizando exames subsidiários para isso, em Homeopatia os sintomas são os parâmetros para a compreensão, o tratamento e a avaliação da evolução de cada paciente.

Atualmente, meu trabalho está fundamentado na pesquisa clínica que realizei, durante 8 anos, para avaliar a eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e transtornos de comportamento em caninos e felinos, em que utilizei esta metodologia própria, que estou desenvolvendo e aperfeiçoando há mais de duas décadas, desde que concluí a minha especialização em Homeopatia. Sendo que, nesta pesquisa, os sintomas foram utilizados como parâmetros para a avaliação da evolução de cada paciente submetido ao nosso tratamento homeopático. Para mais informações, clique aqui.


7. FLEXIBILIDADE.

7.1 Escolha da Metodologia de Tratamento.

Acredito na importância da flexibilidade para a escolha da melhor maneira de tratar cada um de nossos pacientes. Por que utilizar sempre a mesma metodologia para tratar doentes com quadros tão distintos? Devemos abordar da mesma forma um canino portador de distúrbio comportamental e outro diagnosticado com tumor maligno? Será correto utilizar a mesma metodologia para o tratamento de um paciente portador de determinada dermatopatia e de outro apresentando um quadro neurológico, como paralisia, por exemplo?

Na minha opinião, devemos sempre colocar o foco no doente, ou seja, adaptar o método ao paciente, e não o contrário. Mas, para isso, é necessário realizar um estudo profundo, minucioso e individualizado de cada doente, além de estudar outras correntes terapêuticas e escolas homeopáticas, a fim de ampliar e diversificar as possibilidades de abordagem e tratamento.

Além disso, a prática profissional me ensinou que nem sempre é possível obter todas as informações necessárias sobre cada paciente para aplicar uma determinada metodologia. Seja por carência de informações, por parte de seu responsável, seja pela complexidade do caso ou, ainda, por uma deficiência de minha própria compreensão a respeito de determinado paciente. Ao sentirmos uma maior dificuldade para aplicarmos um determinado método, por que não utilizar um outro, que sentimos uma maior segurança? Mas, para isso, como falei anteriormente, é necessário muito estudo, inclusive saindo de nossa zona de conforto, estudando outras escolas homeopáticas, que empregam metodologias distintas.

Este é um dos pontos-chave da metodologia que estou desenvolvendo e aprimorando há mais de duas décadas, sendo a mesma que utilizei no estudo para avaliar a eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em caninos e felinos, com excelentes resultados.

7.2 Mudança de Método.

Na minha opinião, a flexibilização terapêutica deve ocorrer também em relação a uma possível mudança da metodologia utilizada. Assim, se determinado paciente não estiver evoluindo adequadamente com o emprego de uma dada metodologia, por que não utilizar uma outra, mesmo apresentando uma outra concepção? Mas, para isso, é preciso muito estudo e conhecimento, inclusive de outra escolas homeopáticas, confome relatei anteriormente.

7.3 Adequações Conforme a Ampliação do Conhecimento e da Experiência.

Costumo dizer que só porque não conhecemos algo, isto não significa, necessariamente, que este "algo" não exista! Assim, existem infinitas possibilidades de conhecermos coisas novas, até inéditas, que poderemos incorporar em nossa vida, seja pessoal ou profissional.

Por isso, acredito que a flexibilidade, no sentido de estar aberto à aceitação de novidades e, posteriormente, adaptar-se à nova situação, é um fator crucial para o crescimento e a evolução no conhecimento.

Mas isto não significa que somos obrigados a aceitar, indiscriminadamente, tudo a que somos apresentados. Pelo contrário, nossa vida deve estar alicerçada em valores sólidos, tais como, caráter, dignidade, verdade, ética, honestidade, lealdade, etc. A partir disso, tudo o que vir a acrescentar, no sentido de proporcionar melhorias, acredito ser bem vindo.

Além do mais, a vida é dinâmica! O que era bom e funcionava há um tempo atrás, pode ser insuficiente nos dias atuais. E a recíproca é verdadeira, no caso de algo que era considerado obsoleto. E isso dependerá muito da interpretação que temos de algo, seja um objeto, um fenômeno, uma informação, etc. Por exemplo, se lermos hoje um livro que lemos há alguns anos atrás, certamente, em muitas ocasiões, teremos uma visão distinta da que tivemos anteriormente. Por isso, prezado leitor, não estranhe se daqui a algum tempo, ao ler novamente este artigo, você notar algumas alterações. Pode ser que eu acrescente ou retire algo, ou até mude o foco de minha abordagem. Porque o aprendizado e o conhecimento possuem um caráter dinâmico!

A vida está em contínuo movimento! Mesmo estando parados e imóveis, estaremos nos movimentando em relação ao nosso sistema solar, à nossa galáxia e ao universo. Portanto, nunca estaremos sempre no mesmo lugar... Isto é uma ilusão! E, ao mesmo tempo, o nosso organismo está executando, incessantemente, suas funções fisiológicas, em nível atômico, molecular e celular, a fim de cada órgão cumprir sua função em um determinado sistema (seja cardiovascular, respiratório, digestivo, urinário, etc.) para que, em conjunto, de uma forma inter-relacionada e interdependente, propiciem a cada sistema vivo um funcionamento adequado. Porque, conforme o pensamento sistêmico, a vida existe em um estado de não-equilíbrio, porque o equilíbrio é estático, significando a ausência de vida. Portanto, a vida depende de movimento, que almeja alcançar um máximo de estabilidade, de acordo com as circunstâncias. Seja em um nível de macro ou microcosmos... Porque a vida é dinâmica!

Por isso, considero que flexibilidade e adaptação, baseados em valores ética e moralmente defensáveis, são fundamentais para aumentarmos o nosso grau de conhecimento e elevarmos o nosso nível de consciência!


8. CONSIDERAÇÕES FINAIS.

O meu objetivo em apresentar esta metodologia é de ampliar as possibilidades de abordagem e tratamento em Homeopatia, a fim de criar condições mais apropriadas para proporcionar um alto grau de eficácia ao empregarmos a terapêutica que utiliza o princípio da semelhança.

De maneira alguma é excludente, sendo, isto sim, uma metodologia que tem por princípio agregar o maior número de conhecimento possível, aceitando concepções diferentes e percepções distintas. Ou seja, a sua proposta é somar e acrescentar, tendo por objetivo maior, a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida de nossos pacientes.

Na minha opinião, uma boa metodologia é aquela que funciona, que propicia o máximo de benefícios aos doentes, aliviando seus sofrimentos e restabelecendo a sua saúde, da maneira mais rápida, menos nociva e mais duradoura possível. Não interessa se o método empregado é o A, B ou C; se foi criado pelo Dr. X ou é defendido obstinadamente pela Dra. Y. O importante não é defender uma determinada metodologia, mas ajudar os nossos doentes a recuperarem a sua saúde.

No futebol, o mais importante é vencer! Mas também é essencial saber por que se ganha ou se perde! Considero que na vida, em geral, também é assim! Precisamos compreender por que acertamos e quais as razões que nos levaram ao erro. Assim, torna-se fundamental em Homeopatia reconhecer os caminhos que nos levaram ao sucesso e a possíveis fracassos, ao tratarmos os nossos pacientes. É isso o que torna a experiência profissional importante, aprimorando cada vez mais a maneira de tratarmos os nossos pacientes.

Para mim, a grande função da Homeopatia é ser a solução, proporcionando amplos benefícios aos pacientes, especialmente quando o tratamento clássico apresenta resultados parciais ou insatisfatórios. E como demonstra a pesquisa clínica que realizei, durante 8 anos, o tratamento homeopático possui o potencial de apresentar excelentes resultados no tratamento de quadros crônicos (incluindo os transtornos de comportamento) em caninos e felinos. Mas, para isso, é preciso que seja realizado um trabalho sério e competente, baseado em muito estudo, dedicação e conhecimento, a fim de proporcionar uma vida mais digna, saudável e de qualidade aos nossos pacientes. E, humildemente, apresento esta metodologia como uma opção viável e segura para proporcionarmos um alto grau de eficácia em nosso trabalho com Homeopatia.



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Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

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CONTATO: celsopedrini@terra.com.br