A IMPORTÂNCIA DOS SINTOMAS EM HOMEOPATIA - PARTE II



A IMPORTÂNCIA DOS SINTOMAS EM HOMEOPATIA - PARTE II


M.V. Celso Affonso M. Pedrini

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O REPERTÓRIO DE SINTOMAS HOMEOPÁTICOS

Homeopatia significa semelhante cura semelhante. Ou seja, é o sistema terapêutico que utiliza o princípio da semelhança. O medicamento homeopático cura no doente os mesmos sintomas que ele é capaz de provocar em indivíduos saudáveis. Os sintomas mentais, gerais e particulares de cada medicamento estão catalogados em diferentes matérias médicas homeopáticas. Com o objetivo de facilitar a obtenção do medicamento mais apropriado para o tratamento de cada paciente, foram criados os repertórios homeopáticos. De acordo com Rosenbaum:

"O repertório é um índice, um dicionário dos sintomas das matérias médicas e da experiência clínica dos homeopatas. Pode ser utilizado para o estudo individual e comparativo dos medicamentos e para facilitar a busca do medicamento mediante o método da repertorização. O repertório constitui uma ponte para a Matéria Médica Homeopática." (ROSENBAUM, 2002, p. 254)

Embora seja de uma inestimável utilidade, o repertório homeopático dever ser usado como um instrumento (valioso, por sinal), mas não ser o fator decisivo na escolha do medicamento indicado para determinado paciente. Os sintomas no repertório estão soltos, fora de contexto. O repertório apenas revela os possíveis medicamentos mais adequados para tratar cada caso. Entretanto, a Matéria Médica sempre deverá ser consultada. De acordo com Elias Carlos Zoby:

“Repertorização é a busca no repertório pelas rubricas que melhor expressem os sintomas do caso atendido, seguida de análise para indicação dos medicamentos mais prováveis de apresentar um quadro semelhante à totalidade dos sintomas. Após fazer isso as patogenesias e matérias médicas devem ser consultadas para saber qual dentre eles é realmente o mais semelhante ao caso.” (ZOBY, 2002, p. 13)

Existem diversos repertórios e várias técnicas repertoriais. Eu sempre utilizei o repertório em meu trabalho com Homeopatia. Desde o primeiro ano de meu curso de especialização, em 1992, utilizei "El Moderno Repertorio de Kent", em espanhol. Em 1995, adquiri o repertório digital Lince (também em espanhol), que possibilitou o meu primeiro contato com o computador. Foi aí que constatei que os computadores, ao contrário de alguns cachorros, não mordiam! Em 1996, adquiri o "Repertório de Sintomas Homeopáticos", de Ariovaldo Ribeiro Filho, contando com 1604 medicamentos, distribuídos em 42 capítulos; além de ser mais atualizado, apresentava ainda a vantagem de ser em língua portuguesa. A partir de 2001, passei a utilizar o repertório digital Synthesis, do programa Radar, adquirindo uma nova versão em 2009. Existem diversos outros repertórios, eu mesmo possuo alguns, mas estes quatro que citei foram os que mais utilizei em minha jornada como homeopata, cada um em seu momento.

A MATÉRIA MÉDICA HOMEOPÁTICA

"A matéria médica é a principal ferramenta de trabalho do homeopata, pois é nela que ele vai buscar o medicamento que, tendo sido capaz de desencadear um determinado conjunto de sintomas, será capaz de curar um indivíduo que manifesta a sua doença pelos mesmos sintomas" (ROSENBAUM, 2002, p. 144).

Na matéria médica pura os sintomas são apresentados conforme o relato dos experimentadores:

"A Matéria Médica Homeopática reúne numa mesma obra, as informações disponíveis sobre a ação de vários medicamentos. Ela compila todos os sintomas que foram observados após o emprego de determinada substância isoladamente nas experimentações em pessoas sadias, em intoxicações, ou como efeitos colaterais durante o emprego terapêutico. Esta é a matéria médica pura, na qual os sintomas são descritos assim como foram relatados pelos experimentadores ou observados pelos diretores de experimentação. As mais importantes são as do próprio HAHNEMANN, de ALLEN e de HUGHES." (ROSENBAUM, 2002, p. 144)

A matéria médica clínica é uma outra espécie de matéria médica homeopática, onde os sintomas não são mais relatados conforme observados pelo experimentador, ocorrendo, isto sim, a narração do autor a respeito de sua prática clínica com cada medicamento, determinando os sintomas mais frequentes e peculiares (Cf. ROSENBAUM, 2002).

No estudo de cada medicamento, costumo utilizar diversas matérias médicas, pois considero muito importante ter diferentes interpretações do mesmo medicamento, por autores distintos. As matérias médicas que mais utilizo são a de Vijnovsky, Lathoud, Vannier, Allen, M. Tyler, Boericke, Hering, Torro, Radar Keynotes e IBEHE.

OUTRAS FORMAS DE INTERPRETAR OS SINTOMAS

Na Medicina Clássica, popularmente chamada de Alopatia, os sintomas são interpretados conforme a sua concepção materialista, baseada no paradigma mecanicista cartesiano. Nesta concepção, a doença seria representada por uma condição quantitativamente distinta do estado de saúde e por alterações celulares, conforme conceitos estabelecidos por Claude Bernard e Virchow, respectivamente. Dessa forma, os sintomas seriam o resultado de alterações celulares e dos padrões bioquímicos, representando um mal que deve, necessariamente, ser combatido e eliminado.

A Medicina Chinesa considera a função do corpo e da mente como resultado da interação de determinadas substâncias vitais, chamadas de Qi. Os sintomas são interpretados através desta visão, considerando, ainda, o conceito de interdependência entre Yin e Yang e a teoria dos cinco elementos. A partir desta concepção, institui-se o tratamento, que pode ser, por exemplo, pela Acupuntura, que consiste na estimulação de pontos específicos, localizados nos diferentes meridianos. (MACIOCIA, 2007)

Numa visão sistêmica, a doença não é considerada um mal em si, que deve ser combatido e eliminado, mas uma instabilidade do sistema, que poderá ocasionar a morte, a lesão ou a adaptação. Dessa forma, os sintomas representam um movimento, na tentativa de restabelecer a estabilidade do sistema vivo.

Na Terapia por Biorressonância, os sintomas apresentados pelo paciente correspondem a um campo eletromagnético que oscila em uma determinada frequência patológica. A Física moderna demonstrou que a matéria possui um caráter dual. A matéria visível é somente um dos estados em que a realidade pode apresentar-se. O outro estado é a forma ondulatória não visível, ou seja, o correspondente campo de energia. Por exemplo, um estado inflamatório pode ser detectado classicamente, com todos os seus sintomas visíveis. Entretanto, também podemos medir frequências patológicas correspondentes a esta inflamação. Da mesma forma, podemos atuar terapeuticamente, tratando um processo inflamatório com medicamentos convencionais (matéria), ou com frequências terapêuticas que apresentam a capacidade de neutralizar as frequências patológicas (Terapia por Biorressonância). (KÖHLER, 1992)

OS SINTOMAS PODERIAM CORRESPONDER A CAMPOS ELETROMAGNÉTICOS OSCILANDO EM FREQUÊNCIAS ESPECÍFICAS

Tudo o que existe, sejam seres vivos, seus órgãos, suas células ou objetos inanimados são formados por um arranjo de átomos. Portanto, os seres vivos são constituídos por átomos, sendo que a base da interação entre átomos é elétrica (o que implica, consequentemente, na presença de um campo eletromagnético). Todas as coisas, inclusive nós, seres humanos, constituem-se de partes positivas e negativas, em fortíssima interação e perfeitamente equilibradas. (FEYNMAN, 2005)

Desta forma, cada átomo do corpo é um pequeno imã (dipolo magnético), cercado por um campo magnético, procurando alinhar-se com os dipolos vizinhos, formando grupos (MORETTO, 1978).

As interações eletromagnéticas sobrevêm entre todas as partículas carregadas, respondendo pelos processos químicos e pela concepção de todas as estruturas de átomos e moléculas, constituindo, desta forma, todos os seres vivos e objetos inanimados existentes (CAPRA, 1985).

Assim sendo, os seres vivos são dotados da propriedade de emitir um campo eletromagnético de baixa intensidade, numa banda de frequência que varia entre 1Hz a 10 quatrilhões de Hertz (BELLAVITE, 2002).

O ser vivo adoece em função de anomalias celulares e moleculares, ou seja, em decorrência de distúrbios estruturais. Mas a doença também ocorre em consequência de ruídos em sua complexa rede de comunicação, acarretando, consequentemente, em uma instabilidade neste sistema vivo. Mas, se tudo o que existe possui também um campo eletromagnético, poderíamos admitir que um determinado quadro clínico, caracterizado por anomalias estruturais e funcionais específicas, também apresentaria seu campo eletromagnético oscilando em uma frequência específica, portador de uma "identidade" eletromagnética com características próprias.

Se admitirmos que isso seja verdade, o método de comparação entre o quadro de sintomas do paciente e o complexo de sintomas produzido pelo medicamento em indivíduos saudáveis, permitiria ao homeopata realizar a combinação experimental de frequências eletromagnéticas que poderia anular o campo eletromagnético patológico, neutralizando, assim, a doença, conforme preconiza o princípio dos semelhantes. Desta forma, o medicamento homeopático seria o portador da informação contendo a frequência específica que, por indução de ressonância, restabeleceria a saúde do indivíduo doente, sendo que apenas o ajuste adequado de frequências eletromagnéticas fará com que o tratamento pela Homeopatia alcance o sucesso almejado. (GERBER, 1999)

Assim sendo, o medicamento homeopático deveria conter uma frequência similar à do quadro de sintomas do indivíduo doente, pois os sintomas apresentados por este último corresponderiam a uma determinada frequência, que deveria ser semelhante à frequência correspondente ao complexo de sintomas provocados por determinado medicamento em indivíduos saudáveis. Ou seja, a correlação de semelhança entre os sintomas do doente e os sintomas que o medicamento provoca em organismos saudáveis, corresponderia à semelhança apresentada entre as frequências de oscilações inerentes aos campos eletromagnéticos do doente e do respectivo medicamento. A semelhança entre sintomas refletiria a semelhança entre frequências eletromagnéticas.

SINTOMAS COMO PARÂMETRO DE AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DO TRATAMENTO HOMEOPÀTICO

Durante 8 anos, entre 2005 e 2013, realizei um trabalho voluntário na Liga Homeopática do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde desenvolvi, de modo concomitante, uma pesquisa direcionada ao tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em caninos e felinos através da Homeopatia, resultando em um estudo de eficácia.

Os resultados deste estudo apontaram alguns dados muito interessantes. Considero que o mais relevante esteja relacionado ao fato de que 96% dos pacientes caninos e felinos, portadores de doenças crônicas e/ou distúrbios de comportamento, que foram tratados pela Homeopatia e acompanhados durante um período superior a 6 meses, apresentaram melhoras significativas em relação à sua condição inicial (ou seja, quanto ao diagnóstico relacionado à queixa principal) e qualidade de vida, conforme a metodologia empregada e os parâmetros de avaliação propostos. É exatamente quanto a metodologia e os parâmetros de avaliação que foram utilizados no estudo que me proponho a discorrer a seguir.

A Homeopatia apresenta uma concepção diferenciada de ser vivo, saúde, doença, diagnóstico, terapêutica e de cura. O seu propósito não é tratar doenças, como estamos habituados a concebê-las, mas tratar o doente, em sua totalidade, objetivando a sua individualização. Enquanto que, para a Medicina Clássica, que está estruturada no paradigma mecanicista cartesiano, os exames complementares (laboratoriais, por imagem, etc.) são primordiais para o diagnóstico, o tratamento e o prognóstico da doença, em Homeopatia os sintomas são fundamentais para a abordagem, a compreensão e o tratamento do doente, além de servirem de parâmetro de avaliação da sua evolução.

Homeopatia significa "semelhante cura semelhante". O medicamento homeopático cura no indivíduo doente os mesmos sintomas que origina em organismos sadios. Este é o fundamento básico do tratamento homeopático: o princípio da semelhança. Assim, é necessário realizar um profundo e minucioso estudo da totalidade dos sintomas de cada paciente, a fim de encontrar o medicamento homeopático mais adequado para o seu tratamento: medicamento que, ao ser administrado em indivíduos saudáveis, produza os mesmos sintomas apresentados pelo doente em questão.

Assim sendo, neste estudo de eficácia os sintomas apresentados pelos pacientes foram o parâmetro fundamental para o tratamento e a avaliação da sua evolução.

Os pacientes participantes desta pesquisa clínica foram divididos em 4 grupos:

GRUPO I: 77 pacientes. Inclui todos os pacientes que passaram por uma primeira avaliação. Obs.: considera-se primeira avaliação aquela em que o paciente passou por uma anamnese e exame clínico, conforme os preceitos homeopáticos e que, além disso, tenha sido realizada uma primeira prescrição.

GRUPO II: 25 pacientes. Inclui os pacientes que foram avaliados em um período igual ou superior a seis meses de tratamento.

GRUPO III: 26 pacientes. Inclui os pacientes que foram avaliados em um período inferior a seis meses de tratamento.

GRUPO IV: 51 pacientes. Inclui todos os pacientes que deram sequência ao tratamento, passando, ao menos, por uma reavaliação (inclui os grupos II e III).

Quanto aos critérios de inclusão, foram incluídos no estudo os pacientes pertencentes aos grupos II, III e IV, ou seja, todos os pacientes que deram sequência ao tratamento, passando, ao menos, por uma reavaliação.

Quanto aos critérios de avaliação, estabeleceu-se avaliar a evolução dos pacientes durante o tratamento pela Homeopatia quanto aos seguintes aspectos:

* Diagnóstico clínico relacionado à queixa principal (motivo pelo qual o proprietário procurou o atendimento homeopático).

Quanto à avaliação da evolução dos sintomas inerentes ao diagnóstico relacionado à queixa principal, os pacientes foram enquadrados em um de quatro conceitos possíveis:

ÓTIMO: cura ou assintomático por período significativo.

BOM: diminuição significativa no grau de intensidade dos sintomas e/ou diminuição da frequência ou intensidade das crises, sem necessidade de utilização de medicamentos alopáticos convencionais, durante o período de tratamento.

REGULAR: diminuição significativa no grau de intensidade dos sintomas e/ou diminuição da frequência ou intensidade das crises, com necessidade de utilização de um menor número de medicamentos alopáticos convencionais ou em dosagem inferior, durante o período de tratamento.

INSATISFATÓRIO: ausência de melhora significativa durante o período de tratamento.

Os pacientes que obtiveram os conceitos "Ótimo", "Bom" e "Regular" foram colocados no rol dos que apresentaram melhora significativa em relação ao tratamento alopático convencional e/ou período anterior ao tratamento homeopático.

Tudo bem, estes foram os conceitos para avaliar a evolução dos sintomas relacionados à queixa principal. Talvez você possa pensar que ainda estão um tanto vagos, carecendo de uma maior precisão, não é mesmo? Por exemplo: o que entende-se por uma melhora significativa no grau de intensidade dos sintomas? Bom, neste ponto eu optei por utilizar uma convenção, criada por mim. Lembrando que o paciente deve ser avaliado em função de sua totalidade sintomática. Assim, cada sintoma, de cada avaliação (ou seja, cada consulta) a que o paciente foi submetido, passou a ser avaliado da seguinte forma, em relação à sua condição inicial:

- Melhora Total: assintomático, havendo uma melhora de 100% do sintoma avaliado.

- Melhora Consistente: o sintoma avaliado melhorou 80% ou mais.

- Melhora Significativa: o sintoma avaliado melhorou 50% ou mais.

- Melhora Leve e/ou Parcial: o sintoma avaliado melhorou abaixo de 50%.

- Inalterado: o sintoma avaliado permaneceu estabilizado.

- Piora: houve uma agravação do sintoma avaliado.

- Sem Avaliação: quando o sintoma não passou por avaliação.

Considerei que o sintoma avaliado em cada situação específica teve uma evolução positiva se classificado como tendo "Melhora Total", "Melhora Consistente" ou "Melhora Significativa". Ou seja, a partir de uma melhora de 50%, em relação à condição inicial, o sintoma foi considerado tendo uma evolução satisfatória.

É pertinente fazer algumas observações. Quando iniciei este trabalho de pesquisa, em 2005, a minha intenção era apenas a documentação de casos clínicos individuais, comprovando o que já constatava na minha prática clínica, que o tratamento homeopático funciona muito bem em animais. Queria, então, registrar este fato, mostrando o atendimento do paciente desde a sua primeira consulta, acompanhando a sua evolução, mediante as diversas reavaliações. E tudo registrado, em fichas clínicas, vídeos e fotos. Seria a minha resposta quanto à questão se a Homeopatia funciona ou não em animais! Entretanto, em determinado momento, mais precisamente no final de 2012, percebi que poderia realizar um trabalho mais abrangente, resultando neste estudo de eficácia. Portanto, este estudo acabou sendo do tipo retrospectivo, em sua maior parte. Por conseguinte, muitos sintomas acabaram por não serem devidamente apreciados, em relação à sua melhora percentual, em cada avaliação específica.

Um outro comentário que faz-se necessário é quanto a questão de como se obteve o percentual de melhora de cada sintoma apresentado pelo paciente. Na anamnese, desenvolvida com o proprietário, perguntava qual era a sua avaliação, em termos percentuais, da melhora de determinado sintoma. Algumas vezes, o proprietário me fornecia esta informação espontaneamente. Em outras oportunidades, eu mesmo fazia o julgamento, a partir de minha própria observação. Você pode me contestar, afirmando que trata-se de uma avaliação bastante subjetiva. Tudo bem, pode até ter um certo grau de subjetividade. Mas nem por isso deixa de ser verossímil, pois expressa a opinião do proprietário (que é o maior interessado em avaliar se o seu animal de estimação está melhorando ou não) e do profissional que o está tratando.

Outro ponto muito importante a ser enfatizado é que, apesar de considerarmos os sintomas do paciente o parâmetro fundamental para a sua abordagem, tratamento e avaliação de sua evolução, não desprezamos a importância da abordagem clássica, em termos de diagnose e terapêutica. Tanto que, antes do início do tratamento homeopático, foi recomendado aos proprietários dos pacientes seguirem integralmente as orientações estabelecidas pelo médico veterinário responsável pelo atendimento clínico do paciente em questão e/ou de outra especialidade. E este constitui um ponto chave da metodologia que estou desenvolvendo e aprimorando, em mais de duas décadas de atuação. Atualmente, passei a atender exclusivamente pacientes encaminhados por colegas médicos veterinários parceiros, sejam clínicos gerais ou de outras especialidades, pois considero que a sinergia proporcionada pela atuação complementar e integrada entre a Homeopatia e a abordagem clássica, é o caminho mais rápido, seguro e eficaz para beneficiarmos os nossos pacientes, proporcionando-lhes uma vida mais digna, saudável e de qualidade.

Prosseguindo com os critérios de avaliação: se você já achou o anterior um tanto subjetivo, atente para o próximo critério a ser avaliado:

* Apresentação de melhora significativa quanto à qualidade de vida. Foram utilizados como critérios para avaliar se houve melhora ou não na qualidade de vida do paciente: felicidade, disposição, vivacidade, brincadeiras, sociabilidade, qualidade do sono, etc.

Você ainda acha muito subjetivo? Veja o que diz um dos grandes expoentes da Homeopatia brasileira, o Dr. Paulo Rosenbaum:

“Para a Homeopatia (...) saúde e normalidade não são medidas objetivas e estatísticas. Saúde não é a média de nada. Um paciente pode apresentar um valor de pressão arterial além dos estatisticamente estabelecidos e, ainda assim, estar saudável. O mesmo aplica-se ao tratamento do doente diabético, anêmico ou com qualquer outra das patologias que podem ser controladas através da normalidade laboratorial. Muito provavelmente, a única medida real e objetiva do resultado do tratamento seria medir a qualidade de vida do doente.” (ROSENBAUM, 2002, p. 341)

Apenas a título de ilustração, é interessante citar que no Butão é utilizado um índice bastante autêntico: o FIB, Felicidade Interna Bruta, que é baseado na premissa de que o objetivo principal de uma sociedade não deveria ser somente o crescimento econômico, mas a integração do desenvolvimento material com o psicológico, o cultural e o espiritual – sempre em harmonia com a Terra. Desta forma, o progresso de uma comunidade ou nação deveria levar em consideração fatores como a conservação do meio ambiente e a qualidade da vida das pessoas. (Fonte: www.felicidainterna bruta.org.br)

* Apresentação de melhora significativa em relação ao tratamento alopático convencional e/ou período anterior ao tratamento homeopático. Na verdade, este critério confunde-se com o primeiro (avaliação do diagnóstico relacionado à queixa principal), podendo ocorrer a junção destes dois critérios de avaliação.

* Apresentação de melhora significativa quanto a sintomas comportamentais.

* Apresentação de melhora significativa quanto a sintomas orgânicos.

Nestes dois últimos critérios de avaliação, utilizei a mesma convenção criada para que fosse avaliada a evolução em relação ao diagnóstico clínico relacionado à queixa principal.

Os pacientes avaliados no estudo foram classificados da seguinte maneira:

A - Portadores de distúrbios comportamentais.

B - Portadores de distúrbios comportamentais e orgânicos.

C - Portadores de distúrbios orgânicos.

Quanto à avaliação da evolução da condição clínica que motivou a consulta (diagnóstico relacionado à queixa principal), levou-se em consideração, além de melhoras clínicas (e, eventualmente, laboratoriais), os fenômenos inerentes e específicos relacionados ao tratamento homeopático, dependentes de fatores intrínsecos ao paciente (representados pelo seu caráter genético e hereditário, condição orgânica, período de acometimento da enfermidade em questão, idade, etc.), fenômenos que revelariam uma provável indicação de que o paciente estaria sendo direcionado a um crescente grau de estabilidade e/ou a uma possível cura.

Foram utilizados os seguintes critérios para avaliar a evolução dos sintomas inerentes ao diagnóstico relacionado à queixa principal:

1. Apresentação de melhora significativa desde o começo do tratamento e manutenção dessa melhora.

Esta seria a evolução ideal, mas que nem sempre acontece, por não ser possível em todas as circunstâncias. De acordo com Hahnemann:

“O ideal máximo da cura é o restabelecimento rápido, suave e duradouro da saúde, ou remoção e aniquilamento da doença, em toda a sua extensão, da maneira mais curta, mais segura e menos nociva, agindo por princípios facilmente compreensíveis.” (HAHNEMANN, Organon da Arte de Curar, & 2)

Por exemplo, uma paciente da espécie canina, raça Dachshund, portadora de um quadro de ataxia, catalogada em nosso estudo como II11B, foi tratada pela Homeopatia e acompanhada por 3 anos e 6 meses, passando por 9 reavaliações neste período. Destas, em 7 apresentou uma melhora de 80%, sendo que, em outras duas, apresentou melhora de 70% no quadro de ataxia, quando comparado a antes do início do tratamento homeopático.

2. Resposta lenta ao tratamento – melhora significativa ocorre de forma gradual.

Como vimos, o tratamento pela Homeopatia deve ser específico para o doente, não para a doença. Para isso, é necessário que seja feito um profundo e meticuloso estudo da totalidade dos sintomas de cada paciente, visando a sua individualização. Este fato acarreta em um aumento da complexidade em relação ao tratamento instituído, devendo o mesmo ser a médio ou longo prazo, através de uma quantidade variável e contínua de avaliações, prescrições e ajustes, estimando-se em 6 a 12 meses o tempo mínimo para que o tratamento homeopático de quadros crônicos seja avaliado (TEIXEIRA, 2008).

Por exemplo, um paciente felino, apresentando um quadro de agressão dirigida à outra gata da residência, catalogado como II17B, sendo tratado por três anos e dois meses e submetido a 9 reavaliações. Na primeira, melhorou 30% em relação à sua condição inicial; na segunda e terceira, melhora de 45%. Apenas na quarta reavaliação, realizada um ano após o início do tratamento homeopático, apresentou uma melhora de 80% em relação à sua condição inicial, permanecendo estabilizado enquanto esteve sob o nosso tratamento, tornando-se, inclusive, assintomático. Este caso é bastante representativo para demonstrar a importância de haver uma sequência de avaliações, se almejarmos que o tratamento pela Homeopatia seja eficaz.

3. Alternância entre melhora significativa e recidiva dos sintomas.

De acordo com Célia Barollo: “A evolução para a cura no tratamento homeopático não será contínua, principalmente nas doenças crônicas, sendo geralmente irregular e apresentando períodos de melhora e piora e a duração do tratamento é bastante variável." (BAROLLO, 1995, p. 59)

Por exemplo, uma paciente da espécia canina, raça Lhasa Apso, apresentando um quadro de dermatite atópica, catalogada em nosso estudo como II3B, sendo acompanhada por 3 anos e 8 meses e submetida a 9 reavaliações. Na primeira, houve uma melhora de 45% em relação ao prurido (sintoma avaliado nesta paciente, inerente ao diagnóstico relacionado à queixa principal), mas na segunda reavaliação houve uma recidiva. Entretanto, na terceira ocorreu uma melhora de 70% e, na quarta reavaliação, melhora de 80%. Na quinta, o grau de melhoria baixou para 40%, sendo que na sexta reavaliação, houve novo episódio recidivante. Na sétima, nova melhora de 40%, na oitava 70% e, na nona reavaliação, 80% de melhoria em relação à sua condição inicial.

De acordo com Célia Barollo, o medicamento homeopático tem por objetivo colocar o indivíduo em condições mais favoráveis para que possa se curar, colocando-o em um projeto de saúde estável (BAROLLO, 1995).

Se o paciente apresentou uma destas três evoluções, considerei que a avaliação foi positiva, com o mesmo apresentando uma melhora significativa em relação ao tratamento alopático convencional e/ou período anterior ao tratamento homeopático. Assim sendo, 24 pacientes, do total de 25 (ou seja, 96%), incluídos no grupo II (acompanhados por mais de 6 meses), apresentaram melhoras significativas nos sintomas inerentes ao diagnóstico relacionado à queixa principal e também em sua qualidade de vida, conforme a metodologia e os parâmetros de avaliação que acabamos de apresentar.

4. Ausência de melhora significativa.

Mesmo que o paciente tenha apresentado uma melhora leve e/ou parcial (abaixo de 50%) no sintoma inerente ao diagnóstico relacionado à queixa principal, foi enquadrado como tendo uma evolução insatisfatória quanto à sua condição inicial.

Por exemplo, um paciente da espécie felina, catalogado como II21B, apresentando obesidade, em função de seu apetite voraz, sendo acompanhado por 2 anos e 5 meses e submetido a sete reavaliações. Nas duas primeiras, não ocorreram alterações em relação a antes do início do tratamento homeopático; na terceira, na quarta e na sexta, ocorreu uma melhora de 20%, sendo que na quinta e na sétima houve uma melhoria de 30% em relação à sua condição inicial, parâmetros insuficientes para que este paciente fosse classificado apresentando uma evolução satisfatória.

Ao compararmos o grupo II (em que os pacientes foram acompanhados por um período superior a 6 meses), com o grupo III (seguidos por menos de 6 meses), em relação ao diagnóstico relacionado à queixa e principal, período anterior ao tratamento homeopático e qualidade de vida, constatamos que os pacientes que foram tratados por mais de 6 meses apresentaram 96% de evolução positiva neste três itens, enquanto que, dos pacientes que foram acompanhados por menos de 6 meses, 69,23% apresentaram melhoria quanto ao diagnóstico relacionado à queixa principal e período anterior ao tratamento homeopático, sendo que 76,92% apresentaram melhora significativa em sua qualidade de vida. Estes números corroboram a importância de que o tratamento de doenças de caráter crônico necessitem de um período de acompanhamento mais extenso, com os resultados devendo ser avaliados a médio e longo prazo. Dessa forma, a sequência no tratamento é uma das condições básicas para que o sistema terapêutico homeopático apresente um alto grau de eficácia em quadros crônicos (incluindo os distúrbios de comportamento).

Assim sendo, vou me deter em continuar analisando os pacientes pertencentes ao grupo II, que foram submetidos ao tratamento homeopático e acompanhados por um período superior a 6 meses, pois poderemos tirar conclusões mais seguras e consistentes, a partir da análise da evolução de pacientes tratados por um tempo maior.

Dos pacientes caninos e felinos que apresentavam sintomas comportamentais, antes do início do tratamento homeopático, 95,83% apresentaram melhoras significativas nesta ordem de sintomas. Da mesma forma, 95,83% dos cães e gatos que exibiam sintomas orgânicos antes do tratamento, apresentaram uma melhora significativa nos sintomas desta ordem.

Um outro dado muito interessante no resultado deste estudo refere-se à questão de que a Homeopatia trata o doente como um todo. Assim sendo, deve-se esperar que haja uma melhora em sua totalidade, não é verdade? Então, vejamos: dos 22 pacientes caninos e felinos incluídos no grupo II (acompanhados por mais de 6 meses), portadores de sintomas comportamentais e orgânicos, tendo apresentado uma melhora significativa no diagnóstico relacionado à queixa principal, 20 destes pacientes (90.90%) apresentaram melhoras concomitantes em sintomas de ordem física e comportamental. Estes números corroboram o conceito de tratamento integral que é conferido ao sistema terapêutico homeopático.

CONCLUSÕES

Em função de sua concepção diferenciada, a Homeopatia utiliza parâmetros distintos da Medicina clássica, para o diagnóstico, tratamento e avaliação da evolução do paciente. Enquanto o sistema terapêutico tradicional, que está fundamentado no paradigma mecanicista cartesiano, considera patológico alterações bioquímicas quantitativas e celulares, a Homeopatia, estruturada por Hahnemann a partir de uma concepção vitalista, considera doença o transtorno da força vital, que só poderá ser percebido por alterações nas sensações e funções, ou seja, por sintomas mórbidos.

Valendo-se do princípio da semelhança, em que uma substância é capaz de curar no organismo doente o mesmo quadro sintomático produzido em indivíduos saudáveis, fica evidente que os sintomas são fundamentais para a instituição da terapêutica homeopática.

Além disso, conceitos da Física moderna sugerem que o quadro de sintomas do paciente possa corresponder a determinado campo energético, oscilando em uma frequência patológica específica, que poderia ser corrigido pelo campo energético do medicamento homeopático, que oscilaria em uma frequência semelhante. Dessa forma, a semelhança entre sintomas do doente e do medicamento poderia corresponder à semelhança entre as frequências de seus respectivos campos de energia.

Sem desprezar a importância dos exames subsidiários, os sintomas consolidam-se como parâmetro fundamental para a compreensão e tratamento do paciente, pois evidenciam o seu estado de saúde, bem-estar e qualidade de vida, premissas básicas para a aplicação e julgamento da terapêutica que utiliza o princípio dos semelhantes.


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Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

www.celsopedrini.com.br

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